JOSÉ CLÁUDIO
José Cláudio da Silva Nasceu em Ipojuca, Pernambuco, em 1932 e atualmente reside em Olinda. Começou a desenhar nos papéis de embrulho da loja de seu pai, Amaro Silva. Em 1952, interrompeu o curso na Faculdade de Direito do Recife, e ingressa no Atelier Coletivo, da Sociedade de Arte Moderna do Recife, dirigido pelo escultor Abelardo da Hora. Na Bahia, freqüentou os ateliês de Mário Cravo e Caribé. Trabalhou com Di Cavalcanti e Lívio Abhramo, em São Paulo, onde fez sua primeira exposição individual: "Desenhos", Clube dos Artistas e Amigos da Arte, 1956. Em 1957 participa da IV Bienal de São Paulo, que lhe confere prêmio de aquisição.
Em 1975 pinta 100 óleos documentando aspectos da Amazônia. Estudou Modelo Vivo e História da Arte na Academia de Belas Artes de Roma. Foi bolsista da Fundação Rotelini (Itália). Lançou os livros Viagem de um jovem pintor à Bahia e Ipojuca de Santo Cristo (1965); Bem dentro (1968); Meu pai não viu minha glória (1995); e Os Dias de Ubá (inspirado no diário de viagem ao Benin, África). Em 2004, pintou um painel sobre festas populares de Pernambuco para o novo Aeroporto dos Guararapes.
ALCEU VALENÇA
Alceu Valença Nasceu em 1º de julho de 1946, em São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco. Na Fazenda Riachão, onde foi criado, travou contato com a cultura dos cordelistas, emboladores de coco, aboiadores, cegos cantadores de feira, tocadores de forró, baião, xote e demais gêneros que compõem a identidade do Agreste e do Sertão. Aos oito anos, mudou-se com a família para a Rua dos Palmares, no Recife. Foi então que absorveu as influências do frevo, do maracatu, dos caboclinhos, da ciranda, da poesia de Ascenso Ferreira e Carlos Penna Filho, dos programas de auditório, do cinema e da política.
Assumiu a música como ofício ao classificar três composições na fase eliminatória do Festival Internacional da Canção (F.I.C.), promovido, em 1970, pela TV Globo. Mudou-se para o Rio, onde formou o grupo Os Pernambucanos, ao lado de Geraldo Azevedo e Paulo Guimarães, que posteriormente virou uma dupla: Alceu e Geraldinho. O duo lança o primeiro disco em 1972, com respaldo da crítica e pouco conhecimento do público. Dois anos depois, grava seu primeiro álbum solo, “Molhado de Suor” (1974). Mais dois álbuns na década de 70 radicalizam o experimentalismo: “Vivo” (1976) e “Espelho Cristalino” (1977). Em 1978, percorre o país ao lado do mestre Jackson do Pandeiro no Projeto Pixinguinha.
Na década de 80, destaca-se em álbuns como “Coração Bobo” (1980), “Cinco Sentidos” (1981), “Cavalo de Pau” (1982) e “Anjo Avesso” (1983) – todos com mais de 1 milhão de cópias vendidas. Músicas como “Tropicana”, “Anunciação”, “Como Dois Animais”, “Pelas Ruas Que Andei” e “Cabelo No Pente” tomam as rádios e o coração do povo em todo o país. Na década seguinte, flerta com o blues no álbum “Andar Andar” (1990) e ratifica a ponte entre os sons do Nordeste e o pop internacional em “Sete Desejos” (1991) e “Maracatus, Batuques e Ladeiras” (1994). Revisita sua própria trajetória no disco “Sol e Chuva” (1997) e promove um regresso às raízes em “Forró de Todos os Tempos” (1998) e “Forró Lunar” (2001). Em 2006, levou 150 mil pessoas ao Bairro do Recife para a gravação do DVD: “Marco Zero ao Vivo”, uma ode ao carnaval com frevos, maracatus, caboclinhos e cirandas. No álbum “Ciranda Mourisca” (2009), revisita músicas menos conhecidas de sua obra, em versões acústicas, com leve toque oriental.
Homenageado do Carnaval de 2012, pela Prefeitura de Recife, Alceu prepara o lançamento de um novo disco, totalmente dedicado ao frevo. Ainda este ano, chega às telas seu primeiro filme, “A Luneta do Tempo”, onde estreia como autor e diretor de cinema. Em sua múltipla e atemporal embolada, Alceu segue se reinventando.

