Homenageados

No Carnaval Multicultural do Recife 2011, a Prefeitura do Recife homenageará dois baluartes da cultura pernambucana: o Maestro Duda e a artista plástica Tereza da Costa Rêgo. A importância desses dois nomes que sintetizam a arte, o modo de ser e a alma do pernambucano, foi a motivação e o critério usados pela PCR para destacá-los nesta homenagem. Celebrar e reverenciar Maestro Duda e Tereza da Costa Rêgo é mais do que uma deferência aos dois, trata-se de um presente para população que vai ficar mais próxima dos mestres e conhecer melhor suas obras e seus valores.

Tereza Costa Rêgo

Filha de uma família tradicional da aristocracia rural pernambucana, Tereza teve uma educação bastante rígida. No entanto, através da arte expressava seus sentimentos, começando a pintar quando criança, ingressando na Escola de Belas Artes com apenas 15 anos. Durante 14 anos, foi casada e teve duas filhas: Maria Tereza e Laura Francisca. Ao longo deste período, dedicou-se quase que exclusivamente à pintura o que fez com que fosse contemplada com três prêmios do Museu do Estado e outro da Sociedade de Arte Moderna. Em 1962, realizou a primeira grande exposição, na Editora Nacional.

No mesmo ano, Tereza envolveu-se com Diógenes Arruda, dirigente do Partido Comunista, que a levou a sair da cidade. Em São Paulo, por motivos políticos, viveu na clandestinidade até 1969, quando seu companheiro foi preso. Aproveitou o tempo fora de Recife para se dedicar à arte e aos estudos, formando-se em história na USP. Depois de formada, passou a dar aulas de História para vestibulandos e a trabalhar como paisagista em um escritório de planejamento.

Em 1972, quando Arruda foi libertado, o casal seguiu exilado para o Chile. Entretanto, não tardou a chegada do Golpe, que obrigou Diógenes, novamente, a se mudar. Tereza e seu companheiro foram para Paris, onde passaram seis anos. Meso afastada das filhas, dos irmãos, a artista em momento algum parou de pintar. Expôs seus quadros, assinando com o nome de Joanna. Fez doutorado em História, na Escola de Altos Estudos da Sorbone, na França, escolhendo a história do proletariado brasileiro como tema para sua tese.

Ao voltar para o Brasil, em 1979, Tereza ainda enfrentou a morte Diógenes. Com todos os acontecimentos em seu retorno ao Brasil, ela resolveu resgatar sua vida, firmando-se como artista plástica de destaque em Pernambuco. Fez mestrado em História na UFPE e começou a trabalhar na Prefeitura de Olinda. Foi diretora do Museu Regional e, por 12 anos, do Museu do Estado de Pernambuco. São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Paris, Cuba entre outras cidades foram cenário para as exposições da artista que escolheu o Museu do Estado de Pernambuco como local para comemorar seus 80 anos de vida e arte.

Considerada hoje uma das maiores muralistas e pintoras brasileiras, Tereza Costa Rêgo abriu recentemente um novo ateliê, em Olinda. No local, o público tem acesso a algumas de suas obras.

Exposições Individuais

• Pintura, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1981

• Pintura, Galeria Carmita Brito, Recife, 1985

• Exposição Individual de Pintura e Lançamento de Álbum de Gravuras, Palácio dos Governadores, Olinda, 1984

• Pintura, Atelier do Artista, Olinda, 1985

• "Olinda Gravuras", Vila do Conde, Portugal, 1985

• Pintura e Álbum de Gravura, Oficina Guaianases de Gravura, Olinda, 1988

• Pintura, Galeria Officina, Recife, 1988

• Pintura, Atelier do Artista, 1990

• Pintura, Recife-Olinda/Olinda-Recife, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1992

• Gravura, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1992

• Atelier do Artista, 40 Anos de Arte, Olinda, 1997

• Museu de Arte Moderna, 7 Luas de Sangue, Recife, 2000

• Espaço Cultural Correios, 7 Luas de Sangue, Rio de Janeiro, 2001

• Museu de Arte P P, 7 luas de Sangue, São Paulo, 2002

Exposições Individuais

• Coletiva de Artistas Brasileiros, Galeria Vila Rica, Recife, 1980

• Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, 1981

• Coletiva de Artistas Brasileiros, Galeria Vila Rica, Recife, 1981

• Pintura e Poesia - Geração 65, Oficina 154 - Edições Piratas, Olinda, 1981

• 1º Salão de Arte Erótica de Pernambuco, Vivencial Diversiones, Olinda, 1982

• Coletiva de Artistas Brasileiros, Avivarte, Olinda, 1983

• Exposição Mulher Dez Artistas Pernambucanas, Shopping Recife, 1984

• As Novas Imagens do Nordeste Rio Design Center, Rio de Janeiro, 1984

• Exposição Comemorativa dos 450 anos de Olinda, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1985

• Artistas Olindenses, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1985

• Mostra de Arte do Recife, Teatro Santa Isabel, Recife, 1985

• Coletiva Guaianases, Oficina Guaianases de Gravura, Olinda, 1985, 1986, 1987 e 1988

• Galeria Oficina, Recife, 1986, 1987 e 1988Pintores Brasileiros, Portugal, 1987

• Cor de Pernambuco, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989

• O Gato Pintado, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989

• O Gato na Pintura, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989

• Seis Pintores de Olinda, Vila do Conde, Portugal, 1990

• O Circo, Galeria Ranulpho, Recife, 1990

• Fernando de Noronha, Eco 92, 3 Visões MAC

• Viagem ao ano 2000, Passaporte Para O Futuro, São Paulo, 1994

• A Batalha dos Guararapes, Museu do Estado, 1994

• Cumplicidades, Lisboa, 1995

• Olhar Sobre Os Trópicos, Lisboa, 1995

• Arte Brasileira, UNESCO, Paris, 1995

• Arte Brasileira, Estúdio A, São Paulo, 1997

• Artistas Pernambucanos, Cuba, Santiago de Cuba, 1997

• Artistas Pernambucanos, Portugal, 2003

Fontes: Site da Artista (www.terezacostarego.com.br)

Maestro Duda

José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, nasceu em Goiana interior de Pernambuco, em 23 de dezembro de 1935. Aos oito anos, começou a estudar música. Aos dez, já era integrante da banda Saboeira e logo escrevia sua primeira composição, o frevo Furacão, primeiro passo para se tornar um dos maiores regentes, compositores, arranjadores e instrumentistas de frevo da história.

Em 1950, aos 15 anos de idade, começou a integrar a Jazz Band Acadêmica e a Orquestra Paraguari. Tocou Oboé na Orquestra de Recife, mas seu múltiplo talento o levou a experimentar de tudo. Formou várias bandas de frevo que invariavelmente eram eleitas nos carnavais como as melhores do ano.

Em 1953, foi classificado em segundo lugar no Festival de Música Carnavalesca promovido pela Câmara Municipal do Recife, com o maracatu "Homenagem à Princesa Isabel". Neste período, já era regente e arranjador da Orquestra Paraguari. Ainda em 1953, assumiu o departamento de música da TV Jornal do Comércio. Em 1960, realizou cursos de regência e de música sacra na Escola de Artes da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1961, musicou a peça "Um americano no Recife", dirigida por Graça Melo.

Musicou também trabalhos dirigidos por Lúcio Mauro e Wilson Valença. Em 1962, começou a integrar a Orquestra Sinfônica do Recife, executando oboé e corne-inglês. Em 1963, criou uma orquestra de bailes. Em 1967, assinou contrato com a TV Bandeirantes de São Paulo, após já ter sido chefe do departamento de música da TV Jornal do Commercio.

Em 1970, voltou para o Recife, tornando a integrar a Orquestra Sinfônica e passando a atuar como professor-arranjador do Conservatório Pernambucano de Música. Em 1971, obteve o primeiro lugar no Festival do Frevo promovido pela Rede Tupi com o frevo de rua "Quinho". No mesmo ano, organizou uma orquestra para bailes carnavalescos, que recebeu por diversos anos o prêmio de melhor orquestra do ano. Em 1975, gravou disco em homenagem ao Jornal Diário Pernambucano, pela gravadora Rozemblit.

Teve frevos gravados pela Orquestra de Severino Araújo, assim como sambas gravados, entre outros, por Jamelão. Em 1980, foi escolhido como arranjador do Festival MPB-Shell, promovido pela Rede Globo. Em 1982, sua composição "Suíte nordestina" foi escolhida para abrir as festividades da Semana da Pátria, sendo transmitida pela TVE para todo o Brasil. Em 1985, sua orquestra representou o Brasil na Feira das Nações em Miami, na Flórida (Estados Unidos).

Em 1988, executou a obra "Música para metais número 2", com a participação do trompetista americano da Orquestra Sinfônica de Boston, Charles Schlueter, em comemoração aos 138 anos do Teatro Santa Isabel, em Recife. Teve músicas gravadas no exterior, estando presente em mais de 100 discos. Foi eleito por diversas vezes o melhor arranjador do Nordeste.

É regente-arranjador e instrumentista da Orquestra Paraibana de Música Popular. Sua mais famosa obra é a peça sinfônica "Fantasia carnavalesca", gravada pela Orquestra Sinfônica do Recife e Coral Ernani Braga. Vem alcançando destaque internacional com a direção musical da ópera "Catirina", baseada em autos populares do bumba-meu-boi maranhense. Foi escolhido pelo Projeto Memória Brasileira, da Secretaria de Cultura de São Paulo, como um dos 12 melhores arranjadores do século. Em 1997, o Projeto Memória Brasileira lançou o CD "Arranjadores", com seu arranjo para "Bachianas nº5", de Heitor Villa-Lobos, tocado pela Banda Savana, homenageando-o ao lado de outros grandes arranjadores brasileiros como Maestro Cipó, Moacir Santos, Cyro Pereira, José Roberto Branco e Nelson Ayres. Em 1999, lançou com orquestra, o CD "Coleção de Frevos de Rua", que contou com quatro volumes.

Em 2007, teve o frevo "Nino, o pernambuquinho" relançado pela Spok Frevo Orquestra no CD "Passo de anjo ao vivo" gravado ao vivo no Teatro Santa Isabel, na cidade de Recife. Em 2008, recebeu homenagem do Ministério da Cultura, por meio da secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC) e da Representação Regional Nordeste (RR/NE MinC), no Conservatório Pernambucano de Música. O evento encerrou oficialmente a edição 2007 do Prêmio "Culturas Populares", que levou o nome do Meaestro e também homenageou o Centenário do Frevo.

Em 2009, apresentou-se com sua orquestra no carnaval de Recife, na Praça do Marco Zero. No mesmo ano, foi homenageado pela troça carnavalesca Turma da Jaqueira Segurando o Talo e pela Mostra de Música de Olinda.

Obras

• Cidadão frevo

• Estação do frevo

• Fantasia carnavalesca

• Furacão

• Homenagem à Princesa Isabel

• Marcela

• Nino, o pernambuquinho

• Quinho

• Suíte nordestina para banda e orquestra

• Suíte pernambucana de bolso

Discografia

• (1999) Maestro Duda e Orquestra de frevo - Coleção de frevos de rua vol.1 • CD

• (1999) Maestro Duda e Orquestra de frevo - Coleção de frevos de rua vol.2 • CD

• (1999) Maestro Duda e Orquestra de frevo - Coleção de frevos de rua vol. 3 • CD

• (1999) Maestro Duda e Orquestra de frevo - Coleção de frevos de rua vol. 4 • CD

• (1997) Arranjadores • Projeto Memória Brasileira • CD

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira (www.dicionariompb.com.br); O Nordeste.com (www.onordeste.com); Pernambuco Nação Cultural (www.nacaocultural.pe.gov.br)